O Santuário das Damas da Natureza
Durante anos, os seus passos por aqueles trilhos foram feitos de leveza e brincadeira.
Como criança, a floresta era um recreio; as árvores, gigantes estáticos de um reino de faz-de-conta.
Mas a vida, com as suas marés mutáveis, trouxe-o de volta num dia diferente.
Desta vez, o corpo não pedia aventura, mas a alma implorava por refúgio.
Foi nesse silêncio partilhado que o olhar mudou. O que antes era apenas paisagem tornou-se presença.
Ele decidiu, então, despir-se das pressas do mundo para escutar os segredos que o tronco e as folhas encerram. Procurou a intimidade, aquela que só nasce quando paramos de observar o exterior e começamos a sentir a essência.
Neste encontro de almas, ele descobriu que aquelas que agora chama de "Damas da Natureza" são, na verdade, sentinelas de um afecto raro. Batizou-as como Árvores do Amor, não de um amor possessivo ou ruidoso, mas de um amor puramente altruísta.
Elas oferecem a sombra sem perguntar quem se abriga. Oferecem o oxigénio sem exigir o fôlego de volta. Oferecem o prumo e a paz a quem chega de coração fragmentado.
Hoje, a relação é de mútua pertença. Ele compreendeu a maior lição da floresta, a arte de dar sem nada esperar em troca. Tal como a floresta sempre fez pela humanidade, ele aprendeu a amar estas damas com a mesma generosidade com que elas o acolheram quando ele mais precisava de um lugar para ser, simplesmente, ele próprio.
O Coração da Mata dos Medos
Zito Colaço, com o seu filho ao lado da "Mamã Arriba"
A verdadeira princesa na Floresta
Zito Colaço, na Mata Nacional dos Medos,
parte integrante da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica

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