O Grito Silencioso
No ano de 2020, enquanto o mundo se fechava entre quatro paredes e o silêncio tomava conta das cidades, o fotógrafo Zito Colaço encontrou refúgio e resposta no coração da Mata dos Medos.
Foi no diálogo solitário com os pinheiros-mansos e os zimbros seculares que nasceu "Pandemikku" — mais do que um trabalho fotográfico, uma aparição necessária.
Pandemikku é a personagem criada por Zito para dar rosto e corpo à voz da Terra. Ela não é uma estranha, mas sim uma emanação da própria floresta. Surge entre as sombras e a luz filtrada da Arriba Fóssil como uma mensageira atemporal, um espírito que atravessa o tempo da pandemia para nos confrontar com a nossa própria fragilidade e, acima de tudo, com a nossa responsabilidade.
Nesta série fotográfica, Zito Colaço utiliza o cenário místico da Mata — património de biodiversidade e resiliência — para encenar um alerta global. Pandemikku visita-nos para nos lembrar que o vírus mais perigoso é a indiferença. Através de poses que evocam ora a dor, ora a protecção, esta figura mística aponta para a urgência de regenerarmos a nossa ligação com o planeta.
O olhar de Zito, apurado por décadas de fotojornalismo e amor à natureza, captura nesta obra uma atmosfera onírica:
O Confinamento vs. A Imensidão: Enquanto a humanidade se retraía, a natureza respirava. Pandemikku é esse sopro de ar puro que nos convida a sair da nossa "caixa" mental.
A Personagem como Espelho: Pandemikku somos nós, se fôssemos feitos de casca, musgo e vento. É a guardiã que nos avisa: "Se a natureza cair, nós cairemos com ela."
Zito Colaço empresta-nos a sua visão para que possamos ver o invisível: a alma de uma floresta que, mesmo em tempos de medo, continua a oferecer-nos o oxigénio da esperança.
Pandimikus está aqui. E ele pede-nos que, finalmente, aprendamos a cuidar.






























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